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Debate de violência contra a mulher reúne autoridades e estudantes

26/03/2018 - 16:38

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Evento teve como objetivo de mostrar a realidade da violência contra a mulher em Três Lagoas

Com a casa cheira, o 1º Encontro de enfrentamento à violência contra a mulher foi realizado na sexta-feira (23) no anfiteatro das Faculdades Integradas de Três Lagoas (Aems). A ação foi uma organização do Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do curso de Direito da faculdade Aems, com o objetivo de mostrar a realidade da violência contra a mulher em Três Lagoas e compartilhar as experiências de cada setor quem trabalha com esses casos.

O evento contou com palestras de vários profissionais e autoridades. Dentre eles, a Juíza da Casa da Mulher Brasileira, Jaqueline Machado, o desembargador do TJ-MS, Alexandre Bastos e também do advogado e psicólogo, José Roberto Rodrigues da Rosa.

De acordo com a juíza da Casa da Mulher Brasileira, Jaqueline Machado, o evento é de suma importância para alertar a população. Para ela, o tema deve ser levado a sério. “É importante que a sociedade discuta e debata este assunto, de forma aberta e real, porque o problema existe. São números alarmantes de registros de violência doméstica e Três Lagoas não é diferente do resto do país. O Brasil hoje é o 5° país que mais mata mulheres”, explicou.

A casa estava lotada. Na plateia, várias autoridades, estudantes, convidados e até mesmo vítimas de violência.

Casos

Nos dois primeiros meses deste ano, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Três Lagoas registrou 234 boletins de ocorrências de violência doméstica na cidade. Em todo o ano passado, foram registrados 1.310 casos. São quase quatro casos de violência doméstica registrados diariamente em Três Lagoas.

O que chama atenção é que neste início de ano, foram registrados dois casos de feminicídio com quatro mortes. Os homens mataram as mulheres e depois cometeram o suicídio.

Segundo o desembargador de justiça, Alexandre Bastos, a mídia é de extrema importância para que as mulheres passem a ter o conhecimento do assunto e denunciar. Ele afirma que a violência doméstica sempre existiu, e que os grandes números de boletins de ocorrência se dão por conta do conhecimento da população. “Na verdade a visão não é necessariamente de aumento de registro. A sociedade anda tendo o conhecimento da violência, que já havia acontecendo antes de ter canais de divulgação. Esses meios são necessários,” explicou.

Ele ainda afirma que a vítima não deve desistir de levar os casos à diante. “A vítima geralmente tem medo e com razão. O grito dela é silencioso. Se ela não levar o caso à diante, ninguém vai saber. Elas precisam entender que a sociedade não tolera mais esse tipo de situação. O Estado resolveu acordar e enfrentar isso. Ela não está sozinha. Portanto que agora esse silêncio desapareça e esse grito seja ouvido por todos”, finalizou a entrevista.

A direção da AEMS parabeniza todos os organizadores do evento.

Assessoria de Comunicação AEMS

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